Observações sobre patrimônio culinário afro-indígena

Olha o açaí em estado natural. Esse aí fica na área externa da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré em Belém. Foto: Cleidiana Ramos

A culinária do povo paraense é uma das mais fantásticas que já conheci até agora. A variedade e harmonia dos sabores reservam experiências inesquecíveis para o paladar. O que mais chama a atenção é como o acento afro-indígena reconfigurou receitas incorporando o que se acha à mão na rica vegetação local.

Um exemplo: a carne de pato é preparada com a massa de mandioca e uma folha chamada jambu, que deixa na boca uma sensação de ardência leve à quase dormência, formando o tucupi e dando origem a um dos pratos mais famosos daqui: o pato a tucupi.

E o takaká? Esse é especial. O horário em que ele é mais consumido aqui em Belém é no finalzinho da tarde em barraquinhas espalhadas pelas calçadas e esquinas da cidade. É um caldo preparado com jambu, a massa da mandioca e camarão seco. Serve-se em cuias com um palito grande para ajudar na captura das folhas e do camarão.

Olhando todo o entorno da oferta do takaká me lembrei dos tabuleiros de acarajé da Bahia que também tem seu ponto alto de consumo no final da tarde e estão espalhados pelas calçadas e esquinas da capital baiana com predominância de mulheres neste ramo de atividade.

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