Fortaleza em movimento

Chegamos ao final da etapa em Fortaleza do Curso de Gênero Raça e Etnia para Jornalistas. O ponto alto do encerramento das atividades foi a coletiva com a professora Alba Maria Pinho de Carvalho. A diversidade dos temas tratados pela convidada, indo das características do neocolonialismo a seus impactos para questões como racismo e sexismo, possibilitou que os participantes pudessem exercer sua criatividade na produção de material jornalístico, além de estabelecerem contato com mais uma fonte preciosa.

Foram produzidos dois bancos de pautas e mais uma matéria.  O pessoal que fez o texto inclusive fez questão de colocar a fotografia adicional no trabalho final. Pena que a imagem que eles editaram foi no formato word que não permite a conversão aqui. Estamos colocando então uma outra no lugar.  Confiram o resultado:

Convergência de movimentos é fundamental para lutas sociais

É preciso pensar no coletivo, haver uma convergência de lutas nos movimentos sociais. Esse é o caminho apontado pela professora Alba Maria Pinho de Carvalho, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) para que indígenas, mulheres, negros, excluídos por barragem, sem-terra e movimentos pela diversidade sexual possam confrontar e tensionar as formas de dominação.

O assunto foi debatido durante a coletiva de imprensa realizada no Curso de Gênero, Raça e Etnia para jornalistas, promovido pela Fenaj e ONU Mulheres, com o apoio do  sindicato local da categoria, na última terça, 16, no Sindicato dos Bancários.

Para a pesquisadora, a exclusão dos grupos de identidade é fruto de heranças do colonialismo, no caso do Brasil. No entanto, o capitalismo apresenta outras formas de exclusão que se somam àquelas primeiras. “O preconceito de classe é muito forte, mas ele se alia à questão da etnia, do gênero; há uma hibridização de opressões”, disse ela.

A socióloga defende que a resistência à exclusão passa pela atitude individual, mas é na expressão coletiva que ganha força para transformar a sociedade.

Produção: Edna Nogueira, Leustene Vieira, Reydenes Barbosa, Adna Fernandes, Acylândio Alves, Débora Sipião, Vicente Neto, Ana Karolina, Artur Pires e Anita Campos.

BANCO DE PAUTAS 1:

RETRANCA: A CONVERGÊNCIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
Pontos em comum das lutas sociais. Quais as convergências de lutas entre os movimentos sociais. Sugestões de fonte: Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), Movimento sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento Indígena.

RETRANCA: O RACISMO E CONSTRANGIMENTOS
Estudantes africanos no Ceará. Como eles vivem? Quais as dificuldades?Preconceitos vivenciados por serem negros estrangeiros. Sugestão de fontes: Universidade da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), professor Lourenço, Fernando Dias (Presidente da Associação dos Estudantes Africanos do Ceará)

RETRANCA: LUTAS SOCIAIS TRANSFORMADAS EM MERCADORIAS
O capitalismo se apropriando dos movimentos sociais. Figura de Che Guevara comercializada. Consumismo descaracterizando ícones da militância. Produtos específicos para a raça negra ou para segmento gay sendo apenas mercadológicos sem colaborar com a quebra de preconceitos. Sugestão de fontes: cabeleireira especialista em cabelos estilo afro, professor Leonardo Sá (Departamento de Sociologia da UFC), professor Hélio Amazonas (Faculdade Integrada do Ceará). Alba Montenegro (Coordenadora de Mestrado da Universidade Federal do Ceara).

Produção: Juliana Melo, Alana Dantas,Catarina Érika,Thaiane Moura,Rogério Nogueira,Sabrina Lima,Paula Bandeira,Danilo Castro, Alessandra Vital,Abiglacy Rodrigues

Banco de pautas 2
1 – A importância dos movimentos para efetivação das politicas publicas
Objetivos e justificativa: Focar na Marcha das Margaridas, que ocorrerá amanhã em Brasília, para poder compreender de que forma ela trouxe avanços para as lutas das mulheres trabalhadoras rurais. Entender de que forma esse movimento dialoga com outros que envolvem questões agrárias, ambientais e que lutam pelos direitos das mulheres.
Fontes:
– Personagem, participante do movimento
– Sociólogo
– Carmem Foro, coordenadora do Comitê Nacional da Marcha / Assessora da Contag – Maria do Carmo – (61) 8286 9054
Questionamentos
Como as mulheres desses movimentos contribuem, que avanços trazem? É um movimento fechado?
O que elas querem de fato? O que conseguiram alcançar? O que querem comunicar e que agentes estão envolvidos?
Qual a importância da organização desses movimentos no sentido de efetivar políticas públicas?

2 – Lei de combate ao racismo
Objetivo e Justificativa: Observar o andamento da Lei de combate ao racismo. Compreender se a partir de sua implantação o número de denúncias aumentou e se há mecanismos de segurança pública preparados por julgar esse tipo de crime.
Fontes:
–  Personagem que fez denúncia;
– Personagem que não conseguiu fazer denúncia ou que o processo não foi pra frente;
– Policia Civil
– Coordenadoria de políticas públicas de promoção da igualdade racial;
– Ministério Público;

Fontes: Mapa da Violência 2010, pesquisa do MEC
Perguntas:
Há um disque-denúncia específico para esse tipo de crimes?
Qual a importância dessa legislação específica?
Os agentes públicos de segurança estão preparados para atender e julgar esse tipo de denúncia?

3. Você não tem tempo pra quê?
‘Nós não temos tempo de viver as coisas que podemos chamar de humanamente humanas” (Alba Pinho)
Objetivo e justificativa: A partir da reflexão da socióloga Alba Pinho compreender como as pessoas lidam com a esfera do tempo a partir da consolidação da globalização e do advento dos meios de comunicação e transporte.
Fontes:
1.    Agricultora/o
2.    Empresária/o
3.    Jovens que vivem na cidade e no campo
4.    Idosas/os
5.    Historiadora/Historiador
6.    Psicóloga/o

Produção: Rafael Mesquita, Sônia Mendes, Joana Vidal, Juliana Gomes, Aline Pedrosa, Janaína Viana, Carolina Areal, Gabriela Ramos, Cristiane Sampaio

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Pesquisa analisa cobertura étnica do Diário do Nordeste

Uma informação adicional para esse nosso segundo dia do curso em Fortaleza. Tem dados da pesquisa Faces do Brasil sobre um jornal local: o Diário do Nordeste.

Em relação a etnia o estudo encontrou 27 notícias. Destas 74,1% foram publicadas na dobra superior da página. Oito matérias (29,6%) sairam no Caderno Cultural; 22,2% na editoria de Cidades/Regional; 18,5% na editoria Nacional do Primeiro Caderno; 22,2% no Caderno de Negócios e 7,4% são artigos.

Os negros foram mais abordados nas matérias (65,5%), seguidos pelos indígenas (31%) e os ciganos apareceram em apenas uma (o equivalente a 3,4%).

Em relação aos negros a abordagem é na área cultural apontando-os como formadores da cultura brasileira e nordestina. Também apareceram notícias relacionadas ao racismo e à exclusão social (pior escolaridade, informalidade profissional, vítimas mais frequentes da violência). Apenas duas matérias fizeram referência ao Estatuto da Igualdade Racial.

Os indigenas são mencionados em questões relacionadas ao conflito de terras. Já a única notícia sobre os ciganos aparece numa declaração do deputado Francisco Everardo Oliveira da Silva (Tiririca) quando ele propõe dedicação a esse grupo e aos artistas circenses.

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Socióloga é a convidada para coletiva em Fortaleza

Com uma larga experiência no acompanhamento dos movimentos sociais, a doutora em Sociologia, Alba Maria Pinho de Carvalho, é a convidada para uma das atividades pedagógicas no segundo e último dia do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas em Fortaleza, amanhã, terça-feira.

Alba Maria Pinho de Carvalho é graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA); mestre em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) ; e doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Desenvolveu o Pós-doutorado no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra CES/UA Portugal. Atualmente é professora Associada I da Universidade Federal do Ceará, atuando principalmente nos seguintes temas: Mundialização do Capital em Tempos de Ajuste; Transformações na América Latina; Emancipação Social no Século XXI; Brasil Contemporâneo; Estado e Políticas Públicas; Democracia; Política de Assistência Social; Avaliação de Políticas Públicas; Epistemologia e Metodologia das Ciências Sociais.

Curso tem alta participação em Fortaleza, mesmo com feriado prolongado

Participantes estão atentos a todos os detalhes do curso

A etapa de Fortaleza sedimentou ainda mais a nossa certeza de que o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas tem conseguido ir além dos seus objetivos. A participação quantitativa e qualitativa se repetiu nesta terceira capital e olha que a abertura do curso aconteceu no último dia de um feriado prolongado por conta da festa de Nossa Senhora da Assunção, padroeira local.

Nesta turma, chama a atenção a presença maciça de jovens tanto estudantes como profissionais inseridos em redação.

Os participantes contribuíram muito para aprimorar os debates sobre os conceitos dos temas do curso, principalmente no módulo sobre Jornalismo, Ética e Diversidade, apresentando casos locais para análise o que permitiu uma discussão ainda mais rica.

Amanhã é dia de atividade pedagógica com análise de material jornalístico e exercício a partir da coletiva com a doutora em Sociologia Alba Maria Pinho de Carvalho.

Samira de Castro, presidente do Sindijorce, dá as boas vindas

Aquecimento para etapa de Fortaleza

Daqui a pouquinho, às 18 horas, vamos começar o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas em Fortaleza. A atividade é promovida pela Fenaj e pela ONU Mulheres em parceria com os sindicatos locais.

Aproveitamos para corrigir o endereço do curso que no post anterior saiu com o nome da rua equivocado. Desculpem. O endereço correto é Sindicato dos Bancários, Rua 24 de maio, 1289, Centro.

Fortaleza é a nossa próxima parada

Após a etapa do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas no Norte do País chega a vez do Nordeste. A primeira capital é Fortaleza, onde as atividades vão acontecer nos dias 15 e 16/08 (segunda e terça) no Sindicato dos Bancários do Ceará, Rua Joaquim Sá, 545, bairro Dionísio Torres.

Contato: Sindicato dos Jornalistas do Ceará. Fone: (85) 3272-2966
E-mail: sindjorce@sindjorce.org.br
Site: http://www.sindjorce.org.br.