Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas chega à redação da EBC, nesta segunda-feira (17/10), em Brasília

Participarão 30 profissionais, entre jornalistas, produtores, fotógrafos e cinegrafistas. Realizado em oito capitais brasileiras, curso já atendeu 240 jornalistas profissionais

Brasília, 14 de outubro de 2011 – A EBC – Empresa Brasil de Comunicação realiza, nos dias 17 e 18 de outubro, o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas para profissionais da sua redação em Brasília. Participarão 30 pessoas, entre jornalistas, produtores, fotógrafos e cinegrafistas. O conteúdo será aplicado pela jornalista Cleidiana Ramos, repórter especial do Jornal A Tarde e consultora da ONU Mulheres.

O Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas tem como objetivo preparar jornalistas, profissionais da imprensa e estudantes de Jornalismo para a abordagem das temáticas de gênero, raça e etnia, colaborando para a melhoria do trabalho jornalístico. É realizado pela FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e pela ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, com apoio da SEPPIR – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da SPM – Secretaria de Políticas para as Mulheres.

O curso faz parte dos esforços da FENAJ para gerar um debate mais amplo sobre o enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero e etnia. É uma das ações da Federação para implementar os compromissos assumidos com a categoria e divulgar o Ano Internacional das e dos Afrodescendentes. Entre as ações está a realização da campanha de autodeclaração racial e étnica: “Jornalista de verdade, assume a sua identidade” assinada em conjunto com a EBC, com apoio da ONU Mulheres

Aplicado em oito cidades brasileiras – Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo nos meses de agosto e setembro -, o curso já atingiu 240 jornalistas profissionais.

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Jornalistas lançam hoje (14/10) campanha nacional pela autodeclaração racial e étnica

Spot de rádio e filme de 30 segundos produzidos pela EBC – Empresa Brasil de Comunicação são carro-chefe da campanha “Jornalista de verdade assume a sua identidade” assinada pela FENAJ com apoio da ONU Mulheres

Brasília, 14 de outubro de 2011 – A FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas lança hoje (14/10), durante o 18º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação, a campanha “Jornalista de verdade assume a sua identidade”. A iniciativa é assinada em conjunto com a EBC – Empresa Brasil de Comunicação e tem o apoio da ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres.

Conforme deliberação do 31º Congresso Nacional dos Jornalistas, de 2004, faz parte dos esforços da FENAJ gerar um debate mais amplo sobre o enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero e etnia entre a categoria. A campanha é uma das ações da Federação para implementar os compromissos assumidos com a categoria e divulgar o Ano Internacional das e dos Afrodescendentes. Entre as ações estão o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas, realizado em parceria com a ONU Mulheres, em oito capitais brasileiras: Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo nos meses de agosto e setembro.

Spot de rádio e filme de 30 segundos produzidos pela EBC – Empresa Brasil de Comunicação são carro-chefe da campanha “Jornalista de verdade assume a sua identidade”

Além do debate acerca da identidade racial e étnica dos jornalistas e do investimento no preparo de profissionais para a melhoria da prática jornalística na cobertura diária dos temas de gênero, raça e etnia, a FENAJ incorporou a inclusão do item raça/cor/etnia na sua ficha cadastral e dos 31 sindicatos filiados. As informações sobre raça, cor e etnia no cadastro sindical vão derivar dados estatísticos confiáveis e influenciar a análise de indicadores sobre o modo de vida profissional dos/as jornalistas, subsidiando a luta por políticas de igualdade racial e gênero no mercado de trabalho.

A campanha “Jornalista de verdade assume a sua identidade” está sendo realizada nos sindicatos filiados à FENAJ. É composta por peças eletrônicas produzidas pela EBC: spot de rádio, gravado pela jornalista e radialista Mara Régia, e filme de 30 segundos que teve a participação espontânea de funcionários da EBC que se autodeclararam na peça. Como apoio da EBC, as peças começarão a ser veiculadas nas emissoras públicas de comunicação do país.

Discussões em grupo

A professora Cleidiana Ramos dividiu a turma em dois grupos para analisar reportagens sobre a temática. O primeiro grupo analisou a reportagem “Pernambuco: homicídio mata 40 vezes mais negras”, onde os participantes falaram sobre os estereótipos impostos à mulhor negra, explorados na matéria. Uma participante afirmou ter dificuldade, no dia-a-dia do seu trabalho, para representar figuras negras em situação de alegria, pois o banco de imagens disponíveis na empresa em que trabalha é apenas associada á marginalidade e ao contexto de miséria.

O segundo grupo analisou a reportagem da revista ISTO É, intitulada “A saga dos Pankararus 500 anos depois”. Os participantes deste grupo discutiram como a sociedade retrata de maneira preconceituosa a cultura indígena. O grupo emitiu ainda várias opiniões sobre a matéria, como o excesso do uso de estereótipos. Uma das jornalistas participantes citou como problemática a questao ideológica da própria revista, cuja linha editorial é composta por profissionais do eixo Rio-São Paulo.

“Você tem realidades diferentes. Existe uma pressão para perder a identidade afro-brasileira. Não é a toa essa obsessão feminina em alisar o cabelo. Uma menina negra quando alisa o cabelo está buscando outra identidade. O que leva uma pessoa a negar sua própria identidade o tempo todo?”, ressaltou Cleidiana Ramos.

Imprensa e protestos

Se as revoluções democráticas na Tunísia e no Egito ocorressem no Brasil, os comentários nas redes sociais poderiam se aproximar de mensagens como “Esse protesto está atrasando minha chegada ao trabalho” ou “o congestionamento já dura três horas”.

Como ocorreu no vídeo apresentado no curso Gênero, Raça e Etnia, a criação de preconceitos em relação ao outro pode extrapolar os limites de enquadramento da notícia, a imposição de uma visão de mundo. Será que estamos preparados para reconhecer a motivação de protestos e causas sociais, que vão além das nossas?

Assista ao vídeo no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=6Fgdpww5DpI

 

Estatísticas ou pessoas?

Reportagem do sítio Pe360graus, de novembro de 2005, mostra que as mulheres negras sofrem mais preconceito no Recife. Dentre as capitais brasileiras, a cidade aparecia com o maior percentual de desemprego no recorte analisado. Repleta de indicadores estatísticos, nenhum personagem, sequer, foi ouvido.

“Não é possível que os únicos entrevistados neste texto sejam os responsáveis pela pesquisa. Por que não foram buscadas as razões, não se foi a campo, não se aprofundou a cobertura? A falta de tempo pode ser substituída por outras estratégias: o assunto pode virar especial, matéria no domingo”, explica Cleidiana Ramos.

Sindicato dos Jornalistas do Amazonas faz esquenta da campanha “Jornalista de verdade assume a sua identidade”

A campanha “Jornalista de verdade assume a sua identidade” teve um esquenta hoje (8/8), em Manaus, durante a abertura do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas. Primeiro estado a receber o material da campanha, que será lançada nesta semana pela FENAJ com apoio da EBC – Empresa Brasil de Comunicação e da ONU Mulheres, Amazonas não vacilou e saiu na frente com a notícia.

César Wanderley (centro) fala sobre a campanha "Jornalista de verdade assume a sua identidade"

Durante a sua saudação, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, César Wanderley, anunciou a inclusão do quesito raça/etnia nas fichas de filiação do sindicato e convidou os/as participantes do curso a atualizarem o cadastro.

Jornalistas seguem atentos/as ao conteúdo apresentado por Cleidiana Ramos

César também fez bonito ao colocar o cartaz no quadro, distribuir o material para os/as participantes e participar, do início ao fim, do primeiro dia do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas.

Mara Régia faz “programa de rádio” do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas

O dia a dia na Rádio Nacional fez com que a jornalista e radialista Mara Régia fosse muito além de uma entrevista importante para o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas. Mas isso não foi à toa, é compromisso e vivência de 34 anos de profissão, que a fizeram transitar pelas principais discussões sobre o empoderamento das mulheres brasileiras neste período: Constituinte; campanhas pelos direitos das mulheres; luta por melhores condições de trabalho e remuneração; divisão de tarefas; enfrentamento da violência; surgimento de movimentos e organizações de mulheres; a exemplo das negras, indígenas e ambientalistas; entre outras andanças.

Numa conversa rica em informações e tão irreverente quanto à ousadia das mulheres em conquistar o seu espaço na comunicação e no jornalismo, Mara Régia transformou a entrevista num bate-papo quente e pulsante como as ondas do rádio.

Mara Régia é jornalista e radialista da Rádio Nacional

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